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  • Thiago Sieiro

O que aprendi sobre design com minha mãe?

A energia feminina é muito poderosa, é a única capaz de dar a luz a outra vida, a outro ser.

E o que isso tem haver com o design? Tudo!

Como profissão minha mãe era pedagoga, gostava de ensinar e o que ela mais me ensinou era seguir meu coração. Parece brega, mas como designer, por mais técnica que você tenha, por mais cursos que vocês faça, sua arte não será única se não colocar o coração em tudo que faz, se não colocar toda a potência de agir, de criar, como em uma gestação.


Mas vamos voltar um pouco. Quando era criança também gostava de desenhar, pintar, só cantar que não, ela inclusive me expulsou do coral na igreja, porque realmente não era meu dom. rs


Mesmo sendo filho de uma professora, tinha muito dificuldade na escola, não conseguia aprender como a maioria dos alunos, não gostava de estudar, muito menos ler. Só era bom na aula de educação artística e nada mais.


Uma vez na reunião de pais, uma professora falou para ela que eu não prestava atenção nas aulas e sempre estava olhando para a janela. Sabe o que ela fez? Nada. Porque sabia que eu não ia aprender olhando uma lousa com um monte de texto. Então ela me matriculou em uma escola de desenho. E apenas pediu para eu passar de ano, mesmo que raspando nas notas.


Quando estava no terceiro colegial, a maioria dos meus amigos não sabia qual curso fazer na faculdade, mesmo os que tiravam notas mais altas. Mas eu sabia o que queria, era design! E ela sempre me apoiou, mesmo sabendo que não era a profissão que dava mais dinheiro, mas sabia que eu seria mais feliz assim. Porque a potência de ser está em agir com liberdade, como o filósofo Baruch Espinoza(1632–1677) explica:


“Quanto a mim, chamo de livre uma coisa que é e age apenas pela necessidade da sua natureza…”


Agora, pense um pouco, mesmo que sua mãe não entenda nada de artes, tenho certeza que sempre foi muito criativa, principalmente para resoluções de problemas. Ela pode não saber mexer no photoshop, mas você se lembrará de situações na qual ela foi muito esperta, porque como natureza, ela sabe criar. Ela te criou! E tenho certeza que não foi fácil.


Há! Sobre minha mãe. Ela faleceu em 2014, com 51 anos, mas o que ela me deixou de aprendizado, foi sua “potência de ser”, permitindo que sua natureza flua como um rio.


Por isso tenho tatuado uma frase que ela postou no facebook, alguns dias antes dela partir:


O segredo é brincar, se divertir, para que quando a morte chegar, leve só o seu corpo e não leve seus sonhos, porque viveu todo aqui.


Então quando estiver um bloqueio criativo ou com dúvida em qual caminho seguir, lembre-se de sua mãe. O que ela faria? O que sua natureza diz?


E será livre, ou pelo menos criará um grande trabalho!


Thiago Sieiro

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